quarta-feira, 8 de abril de 2026

Unisex Music: April 2026



A small compilation of mostly calm, reflective, and wistful songs. In the image, you can see the ceiling of the Igreja da Misericórdia in Viana do Castelo.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Unisex Music: March 2026



A small compilation of mostly calm, reflective, and wistful songs. The image captures the preparations for Daniel Knox’s concert at Mercado 48.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Unisex Music: February 2026



A small compilation of mostly calm, reflective, and wistful songs. The image shows the Santuário do Sagrado Coração de Jesus in Viana do Castelo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Tiago Sousa:

Tiago Sousa

Tiago Sousa lançou hoje o seu novo álbum, “Sustained Tones, Vol. 1”. A palavra “lançou” e o tempo verbal usado não têm o sentido habitual. Pretende-se sublinhar que este lançamento não ficou para trás: continua. Não se esgota no momento em que o disco se revela. É um disco que não pousa e nos leva consigo.

O álbum é composto por seis temas e abre com “Ready Reliance”, que nos enquadra de imediato para a viagem. São 15 minutos que, a espaços, se insinuam como futuristas — mas a partir do passado, como se a memória fosse o motor do que vem à frente. O lado hipnótico do tema faz com que o tempo pareça alterar a sua direcção. E, já perto do fim, há uma viragem: os últimos três minutos agitam-se, como se o tempo se tivesse partido em pedaços e esses fragmentos colidissem sem cessar, à procura de voltarem a ser um só. Um final que antecipa uma reconfiguração — uma espécie de “intermission”, mas no lugar menos esperado: no final.

Segue-se “Flickers”, que abre o espaço que tinha sido agitado pelo tema anterior e o deixa a pairar, como o título do disco nos tinha prometido. Se isto fosse cinema, seria um plano de deslocação: um movimento que não resolve, apenas transporta. Ficamos à espera.

Depois, pairam dois temas mais melódicos em que o piano assume o papel principal — duas músicas que, embora gestos diferentes, fazem sequência. “Smooth Flow Into It” marca o ritmo de quem nos convida a apreciar a viagem e, quando olhamos mais longe, avistamos o magnífico “Swirling Mist and Thin Dust”, onde essa energia se adensa e se transforma, sem nunca perder a leveza de quem continua em voo — como se a vontade de chegar, em vez de apressar, abrandasse: para haver mais tempo, e mais lugar, para apreciar.

“Restlessness” traz-nos de volta ao lado mais etéreo e cumpre o papel oposto de “Flickers”: em vez de abrir, aperta. Em vez de suspender, tensiona. E é nessa inversão — nesse regresso pelo mesmo corredor, agora com outra luz — que chegamos a “Becoming a Landscape”, o tema de 10 minutos que fecha o álbum e devolve espaço ao espaço: lugares por onde podemos circular, respirar e voltar a encontrar tranquilidade.

“Sustained Tones, Vol. 1” não é um disco para ouvir por distração, nem para ficar a tocar como simples acompanhamento. E talvez seja precisamente por isso que funciona tão bem: aqui, não é o álbum que nos acompanha — somos nós que o acompanhamos. Podemos viajar com ele e, se tivermos sorte, acabamos por flutuar também: suspensos, sem nunca ter de pousar.


PS: O Tiago apresentou o disco ontem, na Igreja do Senhor da Cruz, em Barcelos, no ciclo de concertos triciclo. Foi um evento de entrada livre, mas de grande valor. Num mundo em que o que ouvimos, vemos e consumimos está cada vez mais igual, é curioso como nos convencemos de que somos tão diferentes. E no essencial, muitas vezes, é ao contrário. Faz falta mais diversidade — para que a diferença nos abra espaço por dentro e, só depois, nos devolva ao mesmo lugar: esse onde, no que conta, somos todos muito parecidos.

Parabéns a todos os envolvidos.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Unisex Music: January 2026



A tiny compilation of mostly calm, reflective, and wistful songs. The image shows a Jewish cemetery in Prague (Czechia).

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Daniel Knox: Mercado 48 (Album)



Daniel Knox lançou hoje o seu álbum "Mercado 48". Entrar na música do Daniel é atravessar o equivalente sonoro do filme da nossa vida. Não o filme que gostaríamos que fosse, mas o filme tal como é: sem maquilhagem, sem suavizar arestas, contado com uma honestidade que às vezes dói. Com luz e sombra, mas acima de tudo, com emoção.

O álbum foi gravado na loja Mercado 48 — um espaço que desafia classificações, a meio caminho entre a arte e o que ainda não sabemos nomear, entre o lugar físico e um lugar de amizade. Um sítio improvável para gravar um disco e, precisamente por isso, o melhor sítio para o gravar.

Já conhecíamos dois magníficos singles, "Don’t Fucking Move" e "Alligator", mas é no corpo do disco que tudo ganha outra profundidade. É um álbum que pede para ser ouvido num ambiente mais escuro, porque a luz, às vezes, atrapalha o que sentimos. No tema de abertura, "Worst of All Worlds", mesmo que a luz já esteja baixa, Daniel não se inibe de invadir o nosso espaço, baixando-a ainda mais. Fica apenas a luz suficiente para que vejamos as notas a entrarem-nos pela pele.

Ao longo do disco, sem sairmos do lugar, o nosso espírito começa a vaguear, numa espécie de dança que, erraticamente, se afasta de nós. Nesse movimento, ficamos sem perceber muito bem de onde estamos a olhar o mundo: se de onde estamos, se de onde gostaríamos de estar, ou de onde estivemos.

Quando começamos a perceber para onde vamos, "Scratch the Itch" embala-nos sem pressa. Quando esse movimento estabiliza e começamos a duvidar quanto tempo pode durar uma dança, surgem temas como "Finders Takers", que nos devolvem a sensação de que ainda podemos recuperar as partes de nós que fomos perdendo pelo caminho. Mas, ao chegar a "Guess Not", percebemos que, independentemente de existirem várias formas de contar uma história — e nenhuma delas ser, verdadeiramente, a certa — a perda continua a ser a mesma.

Daniel canta como quem acompanha uma história. Iludimo-nos de que acompanha a nossa, mas só até admitirmos que, muitas vezes, somos os mais estranhos dentro dela. E mesmo não sendo sobre nós, na música, a beleza e o sentido nunca pertencem apenas a quem semeia — pertencem a quem sente.

E é por isso que "Mercado 48" é um disco profundamente humano. Porque não tenta ser perfeito, não tenta esconder nada. Ao mostrar-se assim, cru e verdadeiro, alcança aquilo que poucos discos conseguem: a estranha perfeição de reconhecer a imperfeição que nos acompanha. E, provavelmente por isso, fica tão perto quanto se pode ficar da perfeição.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Unisex Music: December 2025



A small compilation of mostly calm, reflective and wistful songs. In the image is my late father, who recently passed away. I was truly blessed. I had the best father I could have ever wished for.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Jimmy Cliff: Reggae Night



Faleceu hoje Jimmy Cliff. Lembro-me de ouvir, à exaustão, este tema que tinha numa K7. Saudades dos tempos em que, com menos, parecia tinhamos mais.